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CONCEITO DE SEMIÓTICA
CONCEITO DE SEMIÓTICA
A palavra semiótica vem do grego semiotiké e é traduzida como doutrina geral dos signos. No dicionário, também lá está: ciência geral dos signos. Então surge a pergunta: mas de que signos, especificamente, trata a semiótica ? Ora, de todos. Todos mesmo porque inclui tudo aquilo que representa - ou significa - alguma coisa. Uma definição clássica, em latim, conceitua o signo como "aliquid etat pro aliquo" - ou seja o signo é uma coisa que está para outra. Esse amplo conceito de pode incluir desde a palavra mais simples até um sinal de trânsito, o recurso sonoro ou visual de mensagem publicitária, um aroma ou sabor que nos provoca uma lembrança. Pelo exposto, podemos deduzir uma idéia mais precisa de semiótica: é a ciência que estuda o fenômeno da significação. Ou ainda, ciência que investiga os mecanismos mentais que conduzem ao entendimento. Ora, esse simples fenômeno, de uma coisa significar e um sujeito entender, é chamado de semiose.
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OBJETO DA SEMIÓTICA
OBJETO DA SEMIÓTICA
Como foi dito acima, a semiose é o objeto de estudo da semiótica e a semiótica, por sua vez, é a ciência que estuda a semiose. Ainda mais remota que o vocábulo semitiké (semiotiké) é sua raiz, semeion (semeion), equivalente a sintoma, como na medicina, um sinal indicativo de uma outra coisa, no caso a doença. Em Semiótica e filosofia da linguagem, o pesquisador e escritor italiano Umberto Eco enumera os diferentes tipos de signos e a forma como funcionam nos processos de entendimento - na semiose. O autor desenvolve exaustivamente as diferenças entre esses "sintomas" em relação a seus diferentes níveis de objetividade em relação ao objeto a que se referem solicitendo um raciocínio mais ou menos complexo a fim de se alcançar o entendimento ou significado deste ou daquele signo. Assim, a palavra, falada e escrita, é um tipo de signo mais objetivo, direto na expressão de sua mensagem, se comparado a uma sinfonia, por exemplo. No entanto, uma sinfonia, uma placa que diz "É proibido fumar", uma nódoa de sangue em uma camisa, a figura estilizada de uma mulher na porta de um banheiro, uma tosse-um espirro-uma dor de cabeça, todas essas realidades são signos ou combinações de signos passíveis de entendimento e mais, passíveis de diferentes entendimentos em função da circunstância na qual se dá sua ocorrência.
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SEMIÓTICA NO COTIDIANO
SEMIÓTICA NO COTIDIANO
Se você levanta pela manhã e encontra sobre a mesa singelo bilhete dizendo: " Querido, fui à padaria e volto já... " você entende logo que sua mulher foi na padaria, e ainda subentende que ela foi comprar pão, ou leite ou qualquer acepipe para o desjejum! Considerando ainda que a padaria é na esquina, ela deverá voltar em cerca de 15 minutos. Esse seu entendimento brilhante e imediato é o ocorrer flagrante da semiose. A semiótica é um fenômeno cotidiano, e de tão cotidiano, quase ninguém presta atenção no que há de fantástico nele; e o que há de fantástico na semiótica é o mesmo que há de fantástico em ser humano: ser mais que um animal, a fuçar inconscientemente nas esquinas da natureza. Toda a majestade do nosso conhecimento cumulativo, evolutivo, progressivo, está baseada nessa capacidade primeira, em nós, humanos, mais desenvolvida do que em qualquer outro ser sobre a Terra: instituir signos, reconhecê-los, compartilhá-los e estabelecer relações entre eles, deles extrair significados e, em última instância, conhecimento.

