terça-feira, 29 de novembro de 2011

A semiótica e a Magia




A relação entre semiótica, comunicação e magia é um dos aspectos mais amplamente discutidos e sistematizados na obra de conceituados mestres ocultistas. O conhecimento dos signos e de sua potência enquanto veículo de criação e-ou transformação da realidade é uma disciplina obrigatória no chamado "adestramento" dos "magos". O trato "tecnológico" com os signos ou, como se trabalha com cada tipo de signo, é um aprendizado voltado para o domínio das faculdades expressivas humanas. O adepto que pretende alcançar o grau de Iniciado deve submeter-se a exercícios metódicos; treinamento e educação da fala (palavra), do gesto, do olhar, da audição e até da gustação. Os signos adquirem então um alto valor de realização e não podem mais ser usados irresponsavelmente. Aos estudantes de magia é aconselhado pouco falar e muito ouvir. A razão desta prática, comum tanto entre os pitagóricos quanto entre os monges budistas, é o fato de que a maioria das pessoa fala em demasia em discursos no mínimo, redundantes, quando não, veramente noscivos, pela fealdade de suas imagens e intenções; porque "falar é criar" (LEVI, 1995), bem como pensar é o começo da criação; e tanto mais se for um falar e um pensar recorrentes, repetitivos. Os sons que reverberam nas matérias invisíveis da atmosfera podem criar forma e anima, dizem os ocultistas. Cumpre então cuidar do teor daquilo que se pensa e daquilo que se diz porque o princípio, aquilo que dá causa, início a um existir, às coisas, tal princípio, é o verbo. O poder das palavras e dos signos, sinais da vontade é enfatizado por todos os grandes mestres ocultistas.
Papus, em seu Tratado elementar de magia prática (1995), dedica especial atenção ao poder criador das palavras e chama a atenção para os efeitos físicos e metafísicos produzidos pela emissão de sons articulados portadores e significado ou signos de linguagem falada. Afirma, o mestre ocultista, que através da fala, consciente ou inconscientemente, os seres humanos engendram "entidades psíquicas" e adverte: "Uma velha lenda cristã diz que o diabo é incapaz de tomar pensamentos que não tenham sido materializados pela palavra". Nos dias atuais, num processo de espiritualização da humanidade que teve início nos anos de 1960, numerosos livros entre os definidos como "de auto-ajuda" têm, como base de suas técnicas, a reprogramação comportamental-pessoal através da repetição de frases que expressem os objetivos do emissor: ganhar dinheiro, recuperar a saúde, emagrecer, fazer sucesso etc.. Você pode curar sua vida, de Louise L. Hay (1999), lançado em primeira edição em 1984, é um dos clássicos deste tipo de literatura que propõe "despertar idéias positivas, superar doenças e viver plenamente". Mais antigo, o famoso Livro de ouro de Saint Germain (disponível para free download em vários sites da internet em língua portuguesa), apresentando argumentos esotéricos mais complexos, ensina a consciência do "EU SOU" e recomenda variados exercícios de vocalização e mentalização de proposições construtivas e remodeladoras do self. São frases do tipo: "Eu sou perfeito", "Eu tenho perfeita saúde", "Eu tenho dinheiro", "Eu tenho um excelente trabalho" etc.. Papus explica por que essas técnicas, se praticadas com rigorosa disciplina de persistência podem, de fato, mudar a vida de uma pessoa, de uma nação (se organizada em sessões coletivas) e até do mundo inteiro. Nas palavras do médico ocultista, Gerard Anaclet Vincent Encausse, o Papus:
(...) a Ciência Oculta ensina que toda vibração do plano físico determina mudanças de estado particulares no plano astral e no plano psíquico; o conhecimento desta afirmação permite saber até que ponto é certo e considerável o influxo que exerce o verbo humano sobre todos os planos da natureza. A emisão da voz compreende três efeitos simultâneos:
1º) emissão de um som pondo em ação o plano físico da natureza.
2º) Emissão de uma certa quantidade de fluido vital pondo em ação o plano astral.
3º) A criação e libertação de uma entidade psíquica que é a idéia à qual o som dá um corpo e a articulação dá a vida.
Cada idéia assim realizada (trazida à realidade) e manifestada no mundo material age, durante certo tempo, como um ser verdadeiro; depois extingue-se e desaparece rogressivamente (...) A duração da ação desta idéia depende datensão cerebral (mental) com a qual ela foi emitida (e repetida)... (PAPUS, 1995 - P 183)
Mais recentemente, desde os anos de 1980, o bioquímico Rupert Sheldrake, autor de The presence of the past (A presença do passado) e Cães sabem quando seus donos estão chegando (1999), vem desenvolvendo uma teoria que confirma estas afirmações dos esotéricos. Trata-se da Teoria dos Campos de Ressonância Mórfica. Estudando a origem da recorrência das formas na natureza, buscando a origem dos padrões bio-químico-físicos, Sheldrake postula a existência de um campo invisivel de comunicação onde transitam idéias e matrizes que tanto conservam quanto promovem transformações tanto na anatomia dos seres vivos quanto nos seus hábitos comportamentais e, no caso do homem, promovem transformações sociais e culturais.
De acordo com Sheldrake, em biologia, estes campos são "esquemas invisíveis que se encontram por trás da forma de um organismo em crescimento". Com uma natureza semelhante à dos campos magnéticos, aqueles seriam, porém, "...um campo até aqui não reconhecido pela física (...) fazem parte de uma família maior de campos chamados campos mórficos (...) Na organização da percepção, do comportamento e da atividade mental, denominam-se campo perceptivo, campo comportamental e campo mental". (SHELDRAKE. 1999, p 417)
No perímetro de um campo como esse, as informações determinantes dos padrões e formas circulariam, manifestando-se sem barreira de tempo e espaço, através da "ressonância mórfica". Explica Sheldrake (1997): "A ressonância mórfica é a base da memória inerente aos campos em todos os níveis de complexidade (...) No âmbito humano, esse tipo de memória coletiva está intimamente relacionada àquilo que o psicólogo C.G. Jung chamava de inconsciente coletivo." Numa série de papers publicados em seu site oficial, Sheldrake (1987) explica sua teoria da ressonância mórfica em relação à experiência da humanidade:
Minha hipótese é que as sociedades possuem seus próprios campos mórficos socio-culturais nos quais estão incluídos e são coordenados todos os seus integrantes. Não obstante compreenda milhares e milhares de individualidades humanas, a sociedade pode funcionar e reagir como um todo unificado por influência das características de seu campo mórfico. Estamos nesses campos, virtualmente, o tempo todo: campos familiares, campos-nação, campos locais (regionais), campos dos variados grupos aos quais pertencemos. Estamos inseridos nesses imensos padrões coletivos de organização mas, como esses campos estão sempre presentes, são imperceptíveis; conscientemente, não nos apercebemos deles. Nós os admitimos como existentes assim como temos certeza do ar que respiramos, sem prestar atenção no fato como não reparamos no ar, sempre presente. Entretanto, se submergimos em água por um tempo, logo nos damos conta da existência do ar: tomamos consciência da falta que nos faz na iminência do sufocamento. (...) Existem certos contextos nos quais a memória social, embora inconscientemente, é invocada: trata-se dos rituais. Rituais são encontrados em todas as sociedades do mundo, tanto em contextos culturais laicos (mundanos) quanto em contextos religiosos. Em geral, esses rituais são conservados em sua essência e devem ser executados de uma maneira certa, que é a mesma supostamente praticada no passado. (...) Entre os diferentes povos, os rituais obedecem a padrões que repetem fórmulas estabelecidas em tempos, não raro, imemoriais. Quando as pessoas são questionadas sobre o 'porque' da obediência a tais padrões, em geral, respondem que assim fazem porque assim fizeram seus antecessores. (...) Se a ressonância mórfica acontece como eu penso, essa preservação de atos promovida pelo rituais, a repetição em si (...) tornaria seus participantes realmente capazes de se reconectar com seus ancestrais (em muitos sentidos) através da ressonância mórfica.(...) aspectos das tradições religiosas tornam-se mais claros quando confrontados com a idéia dos campos mórficos. Muitos mestres religiosos comparam o aprendizado e as práticas de iniciação com 'um caminho' (...) Na iniciação religiosa o indivíduo é introduzido numa senda, a qual, anteriormente, foi trilhada pelo iniciador que por sua vez foi instruído por um outro, antecessor, numa linha regressiva que remontará a um Buda ou um Cristo. Todas as pessoas que trilharam tais caminhos no passado contribuíram para criar um campo mórfico e, com isso, tornaram mais fácil aos seus sucessores empreender a mesma jornada.
[SHELDRAKE, 1987. In Society, spirit e ritual: morphic ressonance ressonance and colletive unconscious. SHELDRAKE.ORG]

A teoria de Sheldrake coincide com ensinamentos esotéricos milenares e os campos mórficos podem ser identificadoscom os diferentes planos dachamada "Luz Astral" ou Akasha, dimensão puramente energética onde circulam e são registrados todos os fatos e idéias, todos os atos e falas já perpetrados no Universo. Os cientistas contemporâneos começam a cogitar seriamente na capacidade de "contaminação das idéias", posto que, uma vez emitidas, quer por palavras faladas, quer por outras expressões, estas idéias transitam sem barreiras numa invisível teia vibracional exercendo seu poder de sedução e transformação sobre indivíduos e sociedades.
Considerando tal hipótese como válida, atividades como a comunicação de massa ganham uma nova importância enquanto mecanismo capaz de acelerar a difusão de idéias. Ocorre que no contexto atual da política da informação, as mensagens veiculadas nos mídia (os meios de comunicação de massa), desconsiderando a natureza contagiosa dos pensamentos, palavras, imagens, músicas, exploram exaustivamente todo tipo de acontecimento sem nenhum critério que se preocupe com a saúde psicológica da audiência pública.
Programas jornalisticos (informativos) e de entretenimento (musicais, novelas, variedades), não raro, concentram suas pautas na reportagem e exibição de "coisas horrendas" (LEVI, 1995), espetacularizando, quando não, até glamourizando, fatos lamentáveis como guerras, assassnatos, assaltos, sequestros, atentados, suicídios etc.. A visão gratuita e exagerada, recorrente, de tais "coisas horrendas" é expressamente desaconselhada pelos Mestres da magia. Assim como o bioquímico Sheldrake, os magos acreditam que, à semelhança de uma radiofreqüência, idéias ruins podem facilmente encontrar ressonância nas mentes mais susceptíveis ou predispostas, atuando como catalizadoras-multiplicadoras das piores tragédias que assolam a humanidade.
Quando telejornais e portais da internet insistem em ostentar em suas manchetes "o álbum de fotos do desastre", as imagens do atentado, o histórico do mais recente crime bárbaro que chocou a comunidade, estas mensagens germinam na mente coletiva e prosperam sempre que encontram um ego receptivo desencadeando tragédias outras semelhantes. Também no âmbito da vida privada, das relações familiares ou entre amigos, práticas corriqueiras e aparentemente inofensivas como a fofoca, a maledicência, a autodepreciação, queixas e lamentações freqüentes, resultariam na formação e consolidação de "correntes magnéticas ou cadeias mágicas" (LEVI, 1995) negativas que alimentam ciclos de infortúnio. Praticar o controle da mente, tomando as rédeas dos signos, domando o fluxo e a qualidade dos pensamentos é, portanto, um saudável exercício de projeção das idéias construtivas no sentido de produzir, a partir do plano psíquico e metafísico, as matrizes geradoras de melhorias efetivas, verificáveis no dia a dia da realidade física.

BIBLIOGRAFIA
HAY, Louise L. Você pode curar sua vida. [Trad. Evelyn Kay Massaro].
São Paulo: Nova Cultural/Best Seller/ Círculo do Livro: 1999.
LEVI, Eliphas. Dogma e ritual da alta magia. [trad. Rosabis Camayasar].
São Paulo: Pensamento, 1995.
PAPUS (Gerard Anaclet Vincent Encausse). Tratado elementar de magia prática.
[Trad. E.P.] – São Paulo: Pensamento, 1995.
SHELDRAKE, Rupert. Society, spirit and ritual: morphic ressonance and collective unconscious.

SEMIÓTICA

1 .'.
CONCEITO DE SEMIÓTICA



A palavra semiótica vem do grego semiotiké e é traduzida como doutrina geral dos signos. No dicionário, também lá está: ciência geral dos signos. Então surge a pergunta: mas de que signos, especificamente, trata a semiótica ? Ora, de todos. Todos mesmo porque inclui tudo aquilo que representa - ou significa - alguma coisa. Uma definição clássica, em latim, conceitua o signo como "aliquid etat pro aliquo" - ou seja o signo é uma coisa que está para outra. Esse amplo conceito de pode incluir desde a palavra mais simples até um sinal de trânsito, o recurso sonoro ou visual de mensagem publicitária, um aroma ou sabor que nos provoca uma lembrança. Pelo exposto, podemos deduzir uma idéia mais precisa de semiótica: é a ciência que estuda o fenômeno da significação. Ou ainda, ciência que investiga os mecanismos mentais que conduzem ao entendimento. Ora, esse simples fenômeno, de uma coisa significar e um sujeito entender, é chamado de semiose.






2.'.
OBJETO DA SEMIÓTICA

Como foi dito acima, a semiose é o objeto de estudo da semiótica e a semiótica, por sua vez, é a ciência que estuda a semiose. Ainda mais remota que o vocábulo semitiké (semiotiké) é sua raiz, semeion (semeion), equivalente a sintoma, como na medicina, um sinal indicativo de uma outra coisa, no caso a doença. Em Semiótica e filosofia da linguagem, o pesquisador e escritor italiano Umberto Eco enumera os diferentes tipos de signos e a forma como funcionam nos processos de entendimento - na semiose. O autor desenvolve exaustivamente as diferenças entre esses "sintomas" em relação a seus diferentes níveis de objetividade em relação ao objeto a que se referem solicitendo um raciocínio mais ou menos complexo a fim de se alcançar o entendimento ou significado deste ou daquele signo. Assim, a palavra, falada e escrita, é um tipo de signo mais objetivo, direto na expressão de sua mensagem, se comparado a uma sinfonia, por exemplo. No entanto, uma sinfonia, uma placa que diz "É proibido fumar", uma nódoa de sangue em uma camisa, a figura estilizada de uma mulher na porta de um banheiro, uma tosse-um espirro-uma dor de cabeça, todas essas realidades são signos ou combinações de signos passíveis de entendimento e mais, passíveis de diferentes entendimentos em função da circunstância na qual se dá sua ocorrência. 







3.'.
SEMIÓTICA NO COTIDIANO

Se você levanta pela manhã e encontra sobre a mesa singelo bilhete dizendo: " Querido, fui à padaria e volto já... " você entende logo que sua mulher foi na padaria, e ainda subentende que ela foi comprar pão, ou leite ou qualquer acepipe para o desjejum! Considerando ainda que a padaria é na esquina, ela deverá voltar em cerca de 15 minutos. Esse seu entendimento brilhante e imediato é o ocorrer flagrante da semiose. A semiótica é um fenômeno cotidiano, e de tão cotidiano, quase ninguém presta atenção no que há de fantástico nele; e o que há de fantástico na semiótica é o mesmo que há de fantástico em ser humano: ser mais que um animal, a fuçar inconscientemente nas esquinas da natureza. Toda a majestade do nosso conhecimento cumulativo, evolutivo, progressivo, está baseada nessa capacidade primeira, em nós, humanos, mais desenvolvida do que em qualquer outro ser sobre a Terra: instituir signos, reconhecê-los, compartilhá-los e estabelecer relações entre eles, deles extrair significados e, em última instância, conhecimento.

Os primatas falantes e a evolução linguística

      A história da linguagem humana é a história do cérebro humano e suas habilidades cognitivas. A linguagem e a sociedade estão ligadas, a relação entre ela é o marco da constituição do ser humano atual.
Há cerca de 7 e 5 milões de anos, os hominídeos se separaram das outras espécies de primatas. O gênero Australopithecus e o gênero Homo foram os quais obtiveram maior distinção.
Devido as mudanças do clima na Terra, o hominídeo Australopitecino obrigou-se a comer mais carne, adotar uma postura ereta e desenvolver o bipedalismo, o que possibilitou maior habilidade para coletar comida e para caçar. Os Australopitecinos se ajustaram mentalmente e fisicamente, permitindo a cooperação entre os bandos e caça por longos períodos e maiores distâncias. Fósseis mostram que o Australopithecus africanus tinha a capacidade linguística de um gorila, desse modo, ao dominar o bipedalismo, tornaram-se primatas andantes, mas não primatas falantes.
A linguagem vocal só surgiu no gênero Homo.
O habilis surgiu quando o clima da África mudou, tornando-se seco e frio. Os Australopithecus eram inaptos a mudanças ambientais, enquanto o Homo habilis possuía atributos melhorados, como membros mais longos e modernos. Não fabricava armas, mas construiu ferramentas de pedras simples e foi o primeiro a controlar o fogo. O habilis possuía caminhos neurais para uma linguagem rudimentar. Eram anatomicamente incapazes de articular sons humanos, sua laringe ainda não havia evoluído. Mesmo que os caminhos neurais estivessem presentes, os órgãos físicos não estavam.
A ciência moderna reconhece três espécies do gênero Homo: os habilis, os erectus e os sapiens, nessa ordem de evolução. Apenas duas dessas espécies sobreviveram além da África, os erectus e os sapiens, elaborando uma fala rudimentar e uma organização social que permitiu migrarem em pequenos grupos. O Homo erectus foi o primeiro hominídeo a deixar a África, seguindo animais selvagens.
Quase totalmente carnívoro, o erectus era magro, alto, rápido e mais esperto que os outros hominídeos anteriores a ele. Do pescoço para baixo até lembrava os humanos modernos. Foi o primeiro hominídeo globalmente adaptado. Confeccionou diversos objetos de uso manual, principalmente machados de pedra, osso e madeira. Eram inteligentes e organizados o suficiente para construir balsas de bambu.
Os planejamentos complexos exigiram processos mentais complexos. A prática social implementou uma cooperação social maior. Isso implicou o uso de uma linguagem que permitiu uma sintaxe condicional, frases significativas e sentenças sequenciais. O Homo erectus tornou-se capaz de se expressar e esse foi o primeiro passo da humanidade para um pensamento simbólico.
O erectus poderia ter sido capaz de usar uma linguagem vocal. Expressões curtas e significativas eram possíveis, talvez uma sintaxe condicional estivesse em desenvolvimento, mas expressões vocais longas e complexas ainda eram impossíveis anatomicamente.
Todo o Velho Mundo foi povoado pelo Homo erectus. As migrações sucessivas da espécie, criaram uma diversidade racial e uma liberdade genética. A Europa deve ter sido invadida em diversos pontos por espécies diferente de hominídeos. As sociedades de hominídeos primitivos europeus indicam o aparecimento de grupos de caça que se separavam do grupo principal por longos períodos. Porém, para sobreviver na Europa durante eras glaciais, tiveram que desenvolver redes sociais mais complexas, possibilitando assim, o princípio de uma fala articulada.
A fala articulada permitiu que os erectus facilitassem seus planejamentos e organizações. É possível que tenham começado a nomear os membros de um grupo também.
A linguagem vocal humana evoluiu com função distinta e autônoma dos órgãos da fala e do cérebro humano. O uso humano da linguagem vocal é um processo dinâmico simbólico, antropocêntrico e não associativo.
Mudanças expressivas nas vocalizações dos hominídeos foram ocorrendo. Talvez consequência da dieta, das migrações, das mudanças climáticas e da evolução da capacidade cerebral. A gramática foi surgindo a partir de sons indistinguíveis. A fonologia se tornou mais sofisticada, resultante de um controle verbal melhorado. As distinções fonéticas tornaram-se distinções fonêmicas.
O Homo erectus preparava um modo de processamento da linguagem, contudo, sem conter os essenciais linguísticos humanos. Todos os seres humanos precisam abrir a boca para falar, todas as línguas possuem verbos e complementos, possuem imperativo, afirmativo, negativo e interrogativo. Esse é um modelo linguístico autônomo herdado pela nossa espécie.
A função comunicativa da linguagem influencia na forma da linguagem. Os gestos estão, de modo integral, ligados a fala humana. Para permitir que o falante pense, a linguagem dos gestos contribuiu para o desenvolvimento da linguagem vocal humana.
Quando o gelo se concentrou mais ao norte da Europa, um grupo de hominídeos atarracados, troncudos, de membros curtos e fortes surgiu: os Neandertais.
O cérebro do Homo Neanderthalensis era maior do que o dos humanos modernos, porém, sempre preferiram os músculos ao cérebro. Usavam uma linguagem rudimentar, fabricavam ferramentas complexas e organizavam suas sociedades com elevado valor.
A língua dos Neandertais indicava uma fala fluente e frequente, dentro dos limites de variação da espécie. Com um pensamento produtivo, o cérebro exigiu palavras referenciais, os sons relacionados a objetos. Palavras que apontavam para outras palavras. O pensamento e o sistema linguístico se tornaram autorreferenciais. As palavras e os elementos das frases e sentenças foram conectados de maneira que produzissem sentido.
Quando o gelo invadiu a Europa novamente, os Neandertais possivelmente migraram para onde hoje é o Oriente Médio. Nesse período já praticavam atividades sociais, como enterros, práticas de caça e lutas.
Existe a possibilidade de neanderthalensis e sapiens terem interagido. Isso resultaria em uma contaminação fonológica, produto da influencia das respectivas linguagens. Havia também, uma falta de distinção entre as culturas neanderthalensis e dos sapiens, até que um “salto” evolucionário permitiu o surgimento de novas tecnologias. Assim, os sapiens, através de competições e invasões, extinguiram e substituíram os neandertais na Europa e Oriente Médio e os erectus, no Extremo Oriente.
Os Homo sapiens primitivo praticavam arte, música e enterravam seus mortos com presentes. Elaboravam pequenas sociedades, vivendo num assentamento definitivo. Tinham grande conhecimento da natureza e da caça. E teriam usado a linguagem tanto quanto a usamos hoje.
A fala articulada, assim como o raciocínio simbólico, estavam sendo usados de todos os modos que conhecemos, e os hominídeos se tornaram além de “primatas falantes”, também “primatas simbólicos”. A função dos músculos foi substituída pela funcionalidade do cérebro.
A linguagem vocal humana evoluir junto com a mente humana e o desenvolvimento dos órgãos da fala. Enquanto o cérebro aumentava, a fala se tornava mais articulada. Funções como a de gesticular, assumiram tarefa na fala. Cada função alimentava outra. O pensamento primitivo e as vocalizações evoluíram para o pensamento sofisticado e a fala articulada.
No processo de evolução da fala, populações humanas vítimas ou beneficiários de clima, acidentes geológicos, guerras e doenças. Milhares de línguas surgiram e desapareceram.
A fala articulada foi completamente conquistada, os grupos de sapiens governavam territórios independentes, com suas próprias leis. O Homo sapiens foi a única espécie que sobreviveu à evolução, com milhares de línguas distintas e centenas de famílias linguísticas.
Quando o clima esquentou novamente, aumentou as chuvas e os oceanos do planeta subiram, separando povos antigos. Esse clima quente produziu um grão mutante: o trigo de pão. Com isso, houve uma revolução biológica. Os humanos estabeleceram grupos rurais permanentes, o cultivo evoluiu de horticultura para agricultura e se tornou o principal meio de subsistência, aumentando assim a comunicação verbal.
Os humanos permaneciam em um determinado local durante gerações. Apareceram as primeiras cidades, as línguas regionais tornaram-se influentes e eram reconhecidas em terras estrangeiras como “língua de tal lugar”. Desse modo a linguagem humana se ligou à terra.
Os usos da linguagem na sociedade, portanto, demarcou um lugar na sociedade. As questões sociais passaram a ser refletidas no uso linguístico, e assim, o reconhecimento de que a linguagem é a ferramenta fundadora e o resultado da construção da vida social.






Referências:

FISCHER, Steven Roger. Uma breve história da linguagem. Tradução Flávia Coimbra. Osasco/SP: Novo Século Editora, 2009.
ROSSEAU, Jean-Jacques. Ensaio sobre a origem das línguas. Campinas/SP: Unicamp Editora, 1999.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Silent way

O método Silencioso, "Silent way", partiu da premissa de que o professor deveria permanecer o máximo de tempo possivel em silêncio durante a aula, para criar um ambiente propenso às descobertas do aluno em termos de linguagem. Esse silêncio funcionaria como uma alavanca propulsora para a produção oral e o conhecimento fluiria de maneira natural.
Este método foi criado por Caleb Gattegno em meados de 1972, e trás um pouco da experiencia de Gattegno como designer de métodos educacionais de ensino de leitura e matemática. Para ele, o aprendizado é facilitado se o aluno invés de repetir e memorizar, aprende a "descobrir" a lingua e criar dentro dela.
A aquisição linguistica é vista aqui como um processo no qual as pessoas, através do raciocínio, descobrem e formulam regras sobre a língua aprendida. Esta aprendizagem visa à expressão do pensamento, percepção e sentimento dos alunos. Mas para isso, eles precisam desenvolver autoconfiança e independência.
O método foi exposto a diversas críticas. Uma delas é o fato de ele deixar o professor muito distante para encorajar uma atmosfera comunicativa. Os aprendizes precisam de mais orientação e correção do que o método Silencioso permite, uma vez que a correção pelo professor ocorre, muito raramente, na crença de que são capazes de corrigir seus próprios erros.

sábado, 24 de abril de 2010

O processo da aprendizagem

Segundo os ''behavioristas'' a aprendizagem é uma aquisição de comportamentos através de relações mais ou menos mecânicas entre um Estímulo e uma Resposta.

Estimulo → Resposta = Comportamento

Apresenta como principais características:

• O indivíduo é visto como passivo em todo o processo;
• A aprendizagem é sinónimo de comportamento expresso;
• O reforço é um dos principais motores da aprendizagem;
• A aprendizagem é vista como uma modelagem do indivíduo;

Numa ''abordagem cognitiva'', considera-se que o homem não pode ser considerado um ser passivo. Ele organiza suas experiências e procura lhes dar significado. Enfatiza a importância dos processos mentais do processo de aprendizagem, na forma com se percepciona, selecciona, organiza e atribui significados aos objectos e acontecimentos.
É um processo dinâmico, centrado nos processos cognitivos, em que temos:

INDIVIDUO → INFORMAÇÃO → CODIFICAÇÃO → RECODIFICAÇÃO → PROCESSAMENTO → APRENDIZAGEM

De uma ''perspectiva humanista'' existe uma valorização do potencial humano assumindo-o como ponto de partida para a compreensão do processo de aprendizagem. Considera que as pessoas podem controlar seu próprio destino, possuem liberdade para agir e que o comportamento delas é consequência da escolha humana. Os princípios que regem tal abordagem são a auto-direcção e o valor da experiência no processo de aprendizagem.Preocuparam-se em tornar a aprendizagem significativa, valorizando a compreensão em detrimento da memorização tendo em conta, as características do sujeito, as suas experiências anteriores e as sua motivações.
O indivíduo é visto como responsável por decidir o que quer aprender
Aprendizagem é vista como algo espontâneo.

Numa ''abordagem social'', as pessoas aprendem observando outras pessoas no interior do contexto social. Nessa abordagem a aprendizagem é em função da interacção da pessoa, do ambiente e do comportamento

A aprendizagem

O processo de aprendizagem pode ser definido de forma sintética como o modo como os seres adquirem novos conhecimentos, desenvolvem competências e mudam o comportamento. Contudo, a complexidade desse processo dificilmente pode ser explicada apenas através de recortes do todo. Por outro lado, qualquer definição está, invariavelmente, impregnada de pressupostos político-ideológicos, relacionados com a visão de homem, sociedade e saber.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Linguagem

Linguagem é qualquer e todo sistema de signos que serve de meio de comunicação de ideias ou sentimentos através de signos convencionados, sonoros, gráficos, gestuais etc., podendo ser percebida pelos diversos sentidos. Os elementos constitutivos da linguagem são, pois, gestos, sinais, sons, símbolos ou palavras, usados para representar conceitos de comunicação, ideias, significados e pensamentos. Embora os animais também se comuniquem, a linguagem propriamente dita pertence apenas ao Homem.
Um dos aspectos mais importantes da mente humana é a linguagem que emprega para entender o mundo, comumente chamada de língua quando associada a uma comunidade lingüística particular.
A linguagem humana é fundamentalmente diferente da linguagem animal pois envolve a representação simbólica de conceitos e diversos tipos de relações entre eles, possibilitando um número infinito de enunciados a partir de um número finito de símbolos.
A linguagem e o pensamento se misturam à medida que a capacidade de comunicação simbólica se desenvolve.
Uma criança começa a usar a linguagem para se comunicar com cerca de dois anos de idade. Seu conhecimento sobre o mundo, antes baseado em experiências sensoriais e motoras, torna-se lentamente mais e mais simbólico.
A partir de então a criança não precisa mais aprender tudo através de suas próprias experiências - ela pode aprender através da linguagem.